segunda-feira, 4 de abril de 2016

Panama Papers - O Maior Vazamento de Informação da História



 Ontem a noite alguns importantes veículos de comunicação noticiavam o maior vazamento de informação da história da humanidade. Jornalistas de mais de oitenta países receberam cerca de onze milhões e meio (isso mesmo 11.500.000) de arquivos totalizando 2.6 Terabytes de informação a respeito de operações financeiras secretas realizada por, até agora identificados, 12 líderes nacionais e mais de 130 políticos no paraíso fiscal do Panamá.

 Esse vazamento de informação é maior do que todo o conteúdo divulgado pelo Wikileaks ocorrido em 2013 e Publicado por Edward Snowden. O Wikileaks provocou uma forte reação mundial não só no âmbito político, mas, em questões relativas à segurança, transparência e Controle da Internet no mundo inteiro. E claro que, naquele episódio, os Estados Unidos saíram como grande vilão.

 Mas o Panama Papers, nome adotado pela imprensa internacional para o caso divulgado ontem, revela como pessoas utilizam empresas situadas em paraísos fiscais (offshore companies) para realizar transações internacionais pagando pouquíssimos impostos. Os dados foram vazados de uma empresa chamada Mossack Fonseca`s, recebidos por uma fonte do jornal alemão Süddeutsche Zeitung e compartilhado pelo consórcio internacional de jornalistas de investigação em conjunto com o Jornal The Guardian e a rede de TV BBC de Londres. 

 Estes dados foram analisados por 370 jornalistas durante 1 ano e descobriram que a Mossack Fonseca`s opera em diversos paraísos fiscais, tais como Suíça, Chipre, Ilhas Virgens Britânicas, Guernsey, Ilha de Man, Panamá, Bahamas e Ilhas Seychelles, representando quase 214.000 empresas e 14.000 clientes.

 Apenas a título de comparação o WikiLeaks vazou cerca de 1,7 GigaBytes de Informação (1500 vezes menos que o Panama Paper). Outro escândalo denominado Offshore Secrets (2013) vazou cerca de 260 Gigabytes. Escândalos mais Recentes tais como os arquivos de impostos de Luxemburgo de 2014 (4,4 Gigabytes) e o escândalo do HSBC de 2015 (3,3 Gigabytes) vazaram bem menos informação.

 O que podemos aprender disso? Primeiro que as "democracias" precisam aprender a lidar com a Internet que tudo escancara, tudo entrega e nada perdoa. O Brasil, que acelerou seu processo da votação do Marco Civil da Internet logo após o Wikileaks, parece não ter feito muito, pelo menos no aspecto segurança, uma vez que o próprio Edward Snowden "brincou" com a presidente Dilma no caso dos Grampos do Ex-Presidente Lula.


 Outras lições tecnicas ligadas a Segurança de Informação, Fluxos de Informação e Acesso Livre se tornam peças de uma grande engrenagem que nos leva a pensar no paradigma pós-custodial e a preocupação com o Uso da Informação. O que o governo brasileiro, por exemplo, irá fazer com base nessas informações? Seja do ponto de vista investigativo, seja do ponto de vista político? Será que seremos igual a Suiça? Ou continuaremos a ser piada do Snowden?

 Apenas aponto que há outras questões sendo discutidas e a principal delas é o vazamento seletivo do Panama Papers (Aqui e Aqui) mas essa é uma conversa para outro Post...

Um comentário:

  1. Muito legal essa publicação! Gostei das ideias.
    O seu blog é realmente muito promissor! Parabéns e muito sucesso.

    Abraços!

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